
O presidente americano, Barack Obama, autorizou novamente o financiamento de organizações pró-aborto no exterior, trazendo na esteira de grandes temas sociais o questionamento das políticas de seu predecessor, George W. Bush. Obama, em seu terceiro dia de mandato, assinou um decreto determinando a retomada do financiamento de organizações não governamentais fora dos Estados Unidos que pratiquem ou ajudem mulheres que precisam de um aborto, informou o porta-voz da Casa Branca, Bill Burton. Por se tratar de um tema sensível, Obama preferiu assinar o documento sem a presença da imprensa, ao contrário de quinta-feira, quando assinou, cercado de câmeras e repórteres, uma ordem executiva estabelecendo o fechamento da polêmica prisão de Guantánamo. A sessão que havia sido marcada para a assinatura da medida pró-aborto foi cancelada, e a imprensa recebeu apenas o comunicado oficial indicando a ratificação da decisão.O decreto anulado pela ordem de Obama, conhecido como "mordaça global", impedia que empresas, fundações ou indivíduos financiassem no exterior clínicas de planejamento familiar que fornecessem qualquer serviço ligado ao aborto, desde a própria cirurgia até tratamento pós-operatório, acompanhamento psicológico e consultoria jurídica. O corte do financiamento foi instituído em 1984 pelo então presidente republicano Ronald Reagan, mantido por seu sucessor, George H. Bush, e revogado pelo democrata Bill Clinton, que chegou à Casa Branca em 1993. Em 2001, porém, George W. Bush - ferrenho opositor do aborto - voltou a adotar a "mordaça global". Obama não quis assinar o decreto na quinta-feira, 22 de janeiro, data em que a sentença do caso "Roe versus Wade" (processo concluído em 1973, considerado simbólico para os ativistas pró-aborto) completa 36 anos, para não irritar militantes que combatem o direito à interrupção da gravidez. Mesmo assim, vários grupos contra o aborto protestaram nesta sexta-feira em frente à Casa Branca. Entre os cartazes carregados pelos manifestantes, frases como "Aborto: o holocausto americano" e imagens de fetos mortos sobre a bandeira nacional. Milhares de ativistas antiaborto se reuniram em Washington para a "Marcha pela vida", que acontece anualmente para protestar contra a decisão judicial do caso "Roe versus Wade" e contra a interrupção da gravidez. Em um comunicado divulgado no mesmo dia, Obama disse estar "determinado a proteger a liberdade das mulheres a escolher" entre ter ou não um bebê. Para o presidente, o 22 de janeiro lembra aos americanos "que esta decisão não apenas protege a saúde das mulheres e a liberdade reprodutiva, mas também simboliza um princípio maior: que o governo não vai se meter em assuntos familiares íntimos". Obama reconheceu que o aborto é um "tema sensível, que nos divide", mas afirmou que "qualquer que seja nosso ponto de vista, estamos unidos em nossa vontade de evitar a gravidez não desejada, de reduzir o número de abortos e de apoiar as mulheres e as famílias na decisão que tomarem". O aborto será o tema do debate no TAH LIGADO! do dia 29 de janeiro. Conto com a presença de todos no chat, pela www.alltv.com.br, às 22 hs.
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