Neste último final de semana, tive a grata satisfação de rever um amigo contemporâneo de colégio, e, como é habitual nesses reencontros, vem as lembranças daqueles momentos de nossas vidas! Bem, o objetivo deste texto não é contar o dialogo que eu e meu amigo tivemos, mas, sim, deixar consignado alguns pontos sobre a consciência sócio-politica das novas gerações.
Como muitos de minha geração, eu fui freqüentador do Teatro Lira Paulistana, e do Centro Cultural São Paulo. Nestes espaços culturais, passaram a vanguarda paulista dos anos 80, como Língua de Trapo, Premeditando o Breque, Grupo Rumo, Itamar Assumpção, e outros que me fogem da memória após 25 anos! Referidas bandas eram formadas pela sua maioria de estudantes da Universidade de São Paulo, mui especialmente da ECA – Escola de Comunicação e Arte; todos sedentos, em colocar no papel, e exteriorizar toda a indignação de um regime de exceção que estava perdendo a sua força, já que o estávamos num processo de “abertura”.
Lembrei-me, ainda, do ano de 1.984, das diretas já, de centenas, ou até milhares de pessoas do Largo do Anhangabaú, com a possibilidade pela primeira vez, depois de 20 anos, de um grito de liberdade, do término daquele regime de exceção, que fez de seu “milagre econômico”, de suas atrocidades contra a vida e a liberdade, sua maior bandeira. Trouxe, ainda, à minha memória minha vida na política acadêmica na Faculdade de Direito da Universidade Mackenzie, lembranças felizes que preenchem meus olhos de lágrimas de forma saudosa.
Infelizmente, da década de 90 até os dias atuais, a conscientização política do jovem brasileiro vem diminuindo a cada dia, a última manifestação de nossos jovens foi em 1.992, e ad argumentandum tantum, os Caras Pintadas foram fortemente influenciados pela mídia, principalmente pela Revista Veja, e pela rede Globo, mas, porque o jovem desinteressou-se pela política de forma ativa?
Estou definindo juventude da faixa etária entre 15 e 24 anos, a mesma usada pela ONU para definir juventude. São cerca de 34 milhões de brasileiros nesta idade, segundo o censo de 2000. Jovens que em sua maioria têm uma certa rejeição à política, resvalando para o descrédito em relação às instituições democráticas. A pesquisa "O jovem, a sociedade e a ética", realizada pelo Ibope entre julho e agosto do ano passado, aponta que 85% dos cariocas entre 14 e 18 anos não confiam na classe política. E 46% dos jovens acreditam que o Brasil será pior daqui a alguns anos. Eis os verdadeiros motivos para que o jovem não tem o estimulo em ter essa consciência, e ser o novo líder das próximas gerações.
Apesar de, muitas vezes, ser mencionado como alvo prioritário das plataformas administrativas de candidatos por todo o Brasil, o jovem brasileiro ainda participa pouco da vida política. Seja como eleitor ou como agente, a participação política juvenil ainda esbarra na carência de ações de conscientização para a cidadania e na descrença nas instituições governamentais. Mesmo com esse panorama, especialistas mantêm o otimismo e apostam no binômio educação formal e despertar da cidadania como chave para reversão da aparente apatia política. O que me deixou com mais esperança foi o Parlamento Jovem na Assembléia Legislativa de São Paulo, onde vislumbrei a preocupação social dos adolescentes que lá estavam participando, levando e defendendo seus projetos de Lei, sempre com o escopo de melhoria de vida, educação, e, cultura.
As instituições de ensino têm papel imprescindível na formação da consciência política das crianças e dos adolescentes. Mais do que oferecer os conhecimentos sobre a realidade do País - sua História, seus problemas e suas potencialidades -, as escolas devem tomar para si também a missão de incentivar a participação política.
O maior desafio está em transformar o engajamento jovem em prática perene. Um em cada três jovens participa de algum tipo de grupo, seja cultural, esportivo ou religioso. E, mesmo que o foco inicial do grupo não seja político, a experiência de discutir e conviver em coletividade estimula o jovem a pertencer, quando mais velho, a esferas públicas tradicionais.
Com certeza, não estou querendo fazer com que o jovem do século XXI, tenha a mesma sede de indignação da minha juventude, que foi amordaçada por 22 anos; são tempos e necessidades distintas. Hoje não é só a política que conta, mas, também as carências sociais, um péssimo ensino público, a carência de empregos, a falta de uma cultura, aspectos sociais que poderão ser sanados através de uma nova geração que tenha a vontade de mudar esta Nação, mas, antes de qualquer coisa, somos nós que temos que mudar essa nova geração transformá-los em cidadãos de bem, que não vislumbrem a vida pública como trampolim para coisas materiais, mas que consigam uma sociedade mais igualitária, mais solidária.
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